O Som do Silêncio: O tempo é o maior mentiroso.
Rodrigo Braga
Rodrigo Braga is a writer of crime stories and thrillers. He specializes in architecting perfect crimes and developing complex detectives who lose sleep trying to solve them. His work focuses on the i...
About this work
Na chuvosa noite em que a fusão de sua empresa de tecnologia é celebrada, o magnata Henrique Valadares é encontrado morto no chão de seu luxuoso escritório. A cena do crime parece inquestionável e impossível: a porta foi arrombada por dentro, e um relógio de bolso quebrado ao lado do corpo marca 23h15, aparentemente cravando no tempo o momento exato do golpe fatal. No entanto, o Inspetor Mendes, convocado para desvendar o caso, sabe que cenas perfeitas geralmente escondem os segredos mais sujos. O que parece ser um mistério insolúvel logo se revela um jogo de espelhos quando Mendes começa a interrogar Tomás, o jovem e ambicioso sócio da vítima. Mergulhando em uma teia de álibis ensaiados e falsas pistas, o inspetor passa a confrontar os pequenos detalhes que o assassino deixou escapar — de um sobretudo seco em uma noite de tempestade a uma peculiar reação química no tapete persa. O Som do Silêncio é um conto policial clássico, focado na dedução lógica e na investigação minuciosa. Uma história que prova que o diabo sempre mora nos detalhes e que a pressa em forjar a inocência é exatamente o que condena o culpado.
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### O Som do Silêncio
**Capítulo 1: O Relógio Parado**
A chuva batia com fúria contra as janelas do escritório no terceiro andar. O Inspetor Mendes sacudiu o guarda-chuva antes de cruzar a porta dupla de mogno. O cheiro no ar era uma mistura peculiar: tabaco caro, cera de assoalho e o inconfundível odor metálico de sangue.
No centro da sala, caído de bruços sobre o tapete persa, estava Henrique Valadares, o magnata da tecnologia. Não havia sinais de arrombamento. A porta estava trancada por dentro quando a governanta a arrombou, desesperada, ao amanhecer.
Mendes agachou-se perto do corpo. Perto da mão direita de Henrique, repousava um copo de cristal quebrado e um relógio de bolso antigo, com o vidro estilhaçado e os ponteiros congelados exatamente nas 23h15.
— Morte instantânea, inspetor. Um golpe fatal na nuca — disse o legista, ajustando os óculos. — A julgar pelo *rigor mortis*, eu diria que ele morreu antes da meia-noite. O relógio quebrado corrobora isso.
Mendes estreitou os olhos. Ele observou o tapete sob os cacos de cristal. O uísque derramado ainda estava ligeiramente úmido ao toque de sua luva de látex, enquanto o sangue da vítima já formava uma crosta escura e seca.
— Não — murmurou Mendes, levantando-se. — O relógio não corrobora nada. Ele mente.
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**Capítulo 2: O Sócio**
A sala de estar da mansão era fria e impessoal. Sentado no sofá de couro branco estava Tomás, o jovem e ambicioso sócio de Henrique. Ele girava nervosamente um anel no dedo indicador.
— Eu não entendo, inspetor — disse Tomás, a voz trêmula. — Nós conversamos ontem à noite. Ele estava ótimo. Comemoramos a fusão da nossa empresa. Fui embora por volta das 22h00 e fui direto para o meu apartamento. O porteiro pode confirmar.
— Tenho certeza…
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